16 de set. de 2010

Um sonho antigo

Desde que me lembro, todos os meus maiores ídolos usavam baixos de quatro cordas, e a grande maioria usava o modelo Precision (Steve Harris, Donald “Duck” Dunn, Tommy Shanom, Glen Hughes, Billy Shehann, etc).




Claro que no final da infância, início da minha adolescência, quando comecei a tocar, não conhecia a nomenclatura correta e achava que este modelo era apenas um Jazz Bass mais “esportivo”, ou para os meus contemporâneos brasileiros (pré-importação), um “Stratosonic” diferente, porém sempre nutri a vontade de possuir um destes instrumentos, por sua ergonomia, sonoridade, sem contar o seu design eternamente atual, mas os que valiam realmente a pen -, os importados - eram muito caros. Por volta dos meus 18 anos, procurei um luthier em São Paulo para fazer um baixo que atendesse perfeitamente a minha ergonomia, pois apesar de ser baixista minhas mãos são pequenas, e que coubesse no meu orçamento. O escolhido foi um luthier da velha guarda, Emílio Russo, um excelente músico bastante conhecido no cenário musical paulistano na década de 60, substituiu o guitarrista Gato na banda Jet Blacks, e depois fez parte da banda The Sparks, criador da marca “Jaguar”, e que teve bastante influência na minha formação e até mesmo no meu interesse pela luthieria. Naquela época, início dos anos noventa, estavam na moda os baixos da Warwick, mas esses também eram muito caros. Por influência do Emílio que à esta altura já era meu amigo, projetei um baixo que lembrava os Warwick, e acabei colocando no tal baixo uma captação que ele mesmo me indicou, afinal ainda não conhecia muito sobre o meu próprio gosto musical, um tal de Seymour Duncan Bass Lines, que acabava de ser lançado, em 1989; aqueles com aquelas chavetinhas esquisitas (que acabam tornando a timbragem do baixo muito mais versátil, é como se pensássemos em uma chave de caps de guitarra com 8 posições, coisa que a série EMG HZ também dispõe - só que no pré, ou seja inacessível enquanto tocamos - o que os torna ainda mais especiais); o que acabou se revelando uma ótima escolha, pois de todos os meus instrumentos essa foi a melhor captação que já tive, tanto que quando esse baixo se foi, devido a um acidente automobilístico, guardei os caps. Quando me tornei Luthier, o primeiro instrumento que quis construir, é claro, foi uma cópia de um Precision, como há tanto tempo queria. Deste sonho antigo então, surgiu o meu adorado Fileno 000.001 “Soul Free“, confeccionado à mão em madeiras nacionais (Marupá para o corpo e braço, e Pau Ferro para a escala), captação Bass Lines Seymour Duncan de 1989 (aqueles que eu guardei lá atrás), tarrachas e ponte Spirit, trastes Jumbo, uma espessura de braço + escala de 16 mm (mãos pequenas, lembram-se?), escudo em acrílico preto, feito à mão, pintura branca perolada metálica.

Em construção:


 

 


              





Pronto e em ação:


Semana que vem tem mais...até lá...

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